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Por Que Jair Messias Bolsonaro Foi Desligado Do Exército?

Por Que Jair Messias Bolsonaro Foi Expulso Do Exército

Luis Maklouf Carvalho, um renomado jornalista brasileiro, teve uma carreira brilhante e repleta de prêmios. Ele ocupou cargos editoriais em importantes veículos de comunicação do país, como os jornais Movimento, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Além disso, também trabalhou nas revistas Piauí e Época¹.

Carvalho apresenta esses eventos marcantes com sua habilidade única na escrita jornalística. Seu livro proporciona ao leitor uma visão mais profunda sobre aspectos relevantes da carreira militar do atual presidente brasileiro.

Nota:

Não se sabe se por vergonha ou por considerar que a revelação dessa prisão poria fim à narrativa do “mito”, o fato é que Bolsonaro nunca fala que foi preso 15 dias pelo Exército por cometer transgressão grave e infringir vários artigos do Regulamento Disciplinar. Vamos aos fatos.

A edição nº 939 da revista Veja chegou às bancas no primeiro dia de setembro de 1986, destacando a cobertura da eleição da Assembleia Constituinte de 1986 e a disputa entre Paulo Maluf e Antônio Ermírio de Morais para o Governo de São Paulo. Na última página, a revista trazia um artigo do capitão de artilharia do 8º GAC Jair Bolsonaro, com o título “O salário está baixo”. Nele o capitão escreveu que “a tropa vive uma situação crítica no que se refere a vencimentos”.

Havia também um setor das Forças Armadas com tendências fascistas que continuava conspirando e sonhava com a volta do general Figueredo ou até mesmo com um golpe militar liderado pelo general Newton Cruz, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão responsável pela perseguição aos opositores do regime militar.

A expulsão de Bolsonaro do Exército: motivos e consequências

A resposta ao artigo do comandante do Exército general Leônidas Pires Gonçalves foi imediata: o “artigo era um ato de indisciplina inadmissível”. A punição ao capitão também não demorou para sair: o boletim do Exército nº 163, de 3 de setembro de 1986, considerava que o capitão Jair Bolsonaro tinha cometido “transgressão grave” e infringido seis artigos do Regulamento Disciplinar do Exército (RDE), determinando: “FICA PRESO POR 15 DIAS”.

Pois bem. Ano depois dessa prisão, o general Newton Cruz foi testemunha de defesa de Bolsonaro na Comissão de Sindicância aberta pelo Exército para identificar os responsáveis por um plano terrorista de colocar bombas em quartéis. À comissão, o general desmentiu nota publicada no Jornal do Brasil de que Bolsonaro tinha agido sob sua orientação, mas confirmou ter tido três encontros com o capitão no Rio de Janeiro e um em Brasília.

No atual programa eleitoral de Bolsonaro na televisão, é possível vê-lo ao lado de crianças pequenas, mencionando a importância da disciplina para uma boa educação. No entanto, não se faz menção ao fato de que o próprio Bolsonaro, quando tinha 31 anos, cometeu uma “transgressão grave com premeditação”, segundo informações do Exército. Ele agiu deliberadamente para prejudicar a disciplina e a ordem no serviço.

O plano terrorista Beco Sem Saída

O capitão Bolsonaro não se limitou apenas ao ato de deslealdade ao Exército em sua carreira militar. Havia algo mais sério sendo planejado, aparentemente sob o seu comando.

A revista Veja nº 999, com data de capa de 28 de outubro 1987, trouxe matéria com uma grave denúncia: “Pôr bomba nos quartéis, um plano na EsAO “. A reportagem, que causa grande apreensão no país, traz o contundente depoimento da repórter Cassia Maria, no qual relata os detalhes da reunião com o capitão Bolsonaro e com Lígia, esposa de outro capitão que se identificou apenas como “Xerife”. A reunião ocorreu no apartamento da Vila Militar 101, do prédio nº 865 da Av. Duque de Caxias. Eis o relato da jornalista:

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Fui conduzida por Lígia a um dos quartos, com o objetivo de evitar que eu visse o oficial recém-chegado. Durante os breves minutos em que estivemos lá, Lígia compartilhou alguns detalhes sobre a operação Beco Sem Saída. O plano consistia em realizar um protesto explosivo contra o anunciado aumento salarial para os militares nos próximos dias. Caso esse reajuste fosse inferior a 60%, algumas bombas seriam detonadas nos banheiros da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), com cuidado para não causar ferimentos. Simultaneamente, haveria explosões na Academia Militar de Agulhas Negras e outras unidades do Exército. Lígia assegurou-me que não haveria perigo algum: “Serão apenas pequenas explosões para assustar o ministro. Suficiente apenas para que o presidente José Sarney perceba que Leônidas não tem controle sobre suas tropas.

Sem qualquer constrangimento, o capitão Bolsonaro deu uma explicação detalhada sobre como fabricar uma bomba-relógio. O explosivo em questão seria o trinitrotolueno, também conhecido como TNT ou dinamite. A intenção dos oficiais era mostrar sua insatisfação com os salários e causar problemas para o ministro Leônidas, mas sem causar vítimas. Segundo Bolsonaro, se algum dia o ministro do Exército tentasse articular um novo golpe militar, ele acabaria sendo traído por suas próprias tropas que se recusariam a obedecê-lo. De acordo com Bolsonaro: “Nosso exército é motivo de vergonha nacional e o ministro está agindo como um segundo Pinochet”. Essas declarações foram feitas pelo capitão durante uma entrevista com um repórter.

Após a descoberta de um plano perigoso envolvendo explosões em quartéis, o Exército decidiu abrir uma investigação. O capitão Jair Bolsonaro foi apontado como o principal suspeito e compareceu à comissão militar para prestar depoimento quatro vezes. Durante os interrogatórios, ele admitiu ter se encontrado com a jornalista em questão por quatro ocasiões diferentes, mas negou ter concedido qualquer entrevista ou ser responsável pelos esboços do plano publicados pela revista.

Bolsonaro intimida jornalista que o acusou

No dia 7 de dezembro de 1987, a sindicância concluiu sua investigação e enviou o relatório ao general Leônidas Pires Gonçalves, que era ministro do Exército na época. Ao ler o documento, o ministro decidiu nomear um Conselho de Justificação para determinar se o capitão Bolsonaro deveria ou não continuar em serviço ativo.

Em 29 de dezembro de 1987, o Jornal do Brasil divulgou um incidente envolvendo o capitão Bolsonaro. A matéria intitulada “Repórter depõe no Exército e recebe ameaças” relatava que a repórter Cassia Maria Vieira Rodrigues foi ameaçada pelo capitão enquanto aguardava para prestar seu depoimento na antessala do coronel Bechara Couto, da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO). Segundo o jornal, Bolsonaro fez um gesto com as mãos imitando um revólver através do vidro da sala em que estava, como se estivesse disparando contra a jornalista. Ao questioná-lo se aquilo era uma ameaça de morte, ele respondeu negativamente mas alertou que ela poderia enfrentar consequências caso continuasse com aquela história.

No dia 6 de janeiro de 1988, a revista Veja divulgou um incidente em que uma jornalista foi ameaçada por um capitão após denunciá-lo. A matéria informava também que a repórter estava sendo protegida por uma escolta composta por militares disfarçados.

A prática de intimidar e ameaçar mulheres, especialmente jornalistas do sexo feminino, não é algo novo na conduta do presidente atual.

A expulsão de Bolsonaro do Exército: a verdade revelada pelo Conselho

Em 25 de janeiro de 1988, o Conselho de Justificação composto pelo coronel Marcus Bechara Couto, tenente-coronel Nilton Correa Lampert e tenente-coronel Carlos José do Couto Barros decidiu por unanimidade que o capitão Jair Bolsonaro era culpado das acusações feitas contra ele. O conselho concluiu que Bolsonaro era responsável pelos esboços do plano para explodir bombas nos quartéis.

O Conselho tem certeza de que o Justificante fornecia informações à repórter Cassia Maria desde outubro de 1987.

Os relatórios emitidos pelo 1º Batalhão de Polícia do Exército e pela Polícia Federal confirmam de forma inequívoca que os escritos presentes nesta página original foram produzidos pelo próprio capitão Jair Messias Bolsonaro.

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“O resultado do laudo pericial evidencia ter sido o Justificante o autor dos croquis publicados na edição 1000 da revista Veja² , e, por isso, ter mentido ao longo de todo o processo, o que permite que seja firmada a convicção, por este Conselho, que a versão apresentada pela repórter Cassia Maria, pela coerência e testemunhos apresentados, seja a mais aproximada da realidade, o que confirma a ocorrência da reunião, no dia 21 de outubro, na residência do capitão Fábio, e, por consequência, os fatos geradores da reportagem, conforme foram apresentados.”

A determinação do Conselho, baseada em depoimentos e análises periciais, foi clara: Bolsonaro é responsável pelos esboços e pelo plano de ataque com explosivos nos quartéis. Essa decisão foi enviada ao ministro do Exército conforme estabelecido pela lei 5.836, que por sua vez a encaminhou ao Superior Tribunal Militar, seguindo o procedimento adequado.

Bolsonaro absolvido pelo STM

Um mês após a decisão do Conselho Militar, o general Leônidas Pires Gonçalves admitiu em uma entrevista coletiva na sede do Comando Militar do Leste que cometeu um erro ao confiar nos militares responsáveis por planejar ataques com bombas em quartéis para obter aumentos salariais. De acordo com informações do Jornal do Brasil, o general afirmou: “Honra e verdade. Esses são os princípios pelos quais baseamos todos os critérios para punir esses jovens capitães, que esqueceram de algo fundamental para nós, que é a verdade”. (Jornal do Brasil, 27 de fevereiro de 1988).

Reunido em sessão secreta no dia 16 de junho de 1988, nove ministros do STM votaram por considerar o capitão Bolsonaro “não culpado” ou “justificado” e quatro ministros o consideram responsável pela operação terrorista Beco Sem Saída. Embora a jornalista Cassia Maria manteve na íntegra o depoimento dado à revista Veja no STM, ela pouco foi levada em conta, pois, segundo um dos ministros, o general Alzir Benjamin Chaloub, indicado pelo general Figueiredo, “repórter não é flor que se cheire”. Além do mais, o laudo da Polícia Federal que atribuía a autoria dos croquis a Bolsonaro foi considerado pelo tribunal apenas um “indício”.

A expulsão de Jair Messias Bolsonaro do Exército: uma análise histórica

Na edição de 22 de junho de 1988, nº 1.033, Veja publicou o resultado do julgamento no STM, “Palavra Final – STM absolve capitães de Beco sem Saída”. Na matéria, a revista registra que o Ministério Público foi impedido de falar no julgamento e criticou a advogada de Bolsonaro que, “por má-fé ou delírio”, mentiu no STM ao dizer que a repórter Cassia Maria tinha sido demitida da revista e conclui: “O caso agora faz parte da história”.

O livro “O Cadete e o Capitão” revela informações sobre a prisão de Bolsonaro pelo Exército, seus encontros com o general Newton Cruz e seu envolvimento na operação Beco Sem Saída. Essas revelações lançam luz sobre Jair Bolsonaro, que atualmente ocupa a Presidência da República. Durante seu mandato, ele tem atacado as urnas eletrônicas, convocado manifestações pedindo uma intervenção militar das Forças Armadas, defendido o fechamento do STF e do Congresso Nacional. Além disso, suas atitudes durante a pandemia de Covid mostraram pouco apreço pela vida humana. Ele também tem ofendido mulheres jornalistas e ameaçado os direitos democráticos conquistados pelos trabalhadores deste país.

A matéria foi divulgada na edição impressa nº 260 do Jornal A Verdade, durante a segunda quinzena de outubro de 2022.

¹ Luis Maklouf Carvalho nasceu em Belém, Pará, em abril de 1953, e faleceu aos 67 anos, em maio de 2020. É autor dos livros Mulheres que foram à luta armada (Globo, 1988); Segredos da Constituinte (Record, 2018); João Santana: um marqueteiro no Poder ; Cobras criadas: David Naser e O Cruzeiro (Senac, 2001) e Já vi esse filme: reportagens e polêmicas sobre Lula e o PT (Geração Editorial, 2005).

Na edição 100 da revista Veja, datada de 4 de novembro de 1987, foram divulgados os desenhos preliminares do plano chamado Beco Sem Saída.

Situação das jóias de Bolsonaro

Os itens foram encontrados na mochila de um assessor do então ministro Bento Albuquerque, durante uma viagem à Arábia Saudita. De acordo com a lei, qualquer bem avaliado em mais de R$ 5 mil (US$ 1.000) deve ser declarado na chegada ao país. No entanto, as seguintes joias não foram declaradas e acabaram sendo confiscadas:

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1. Um colar de ouro com pingente de diamante.

2. Um par de brincos de prata com pedras preciosas.

3. Uma pulseira de ouro maciço.

4. Um anel cravejado com rubis e esmeraldas.

5. Um relógio suíço luxuoso.

6. Uma corrente dourada com pingente personalizado.

7. Brincos banhados a ouro rosa e zircônias cúbicas.

8. Pulseiras folheadas a ouro enfeitadas com pérolas naturais.

Esses itens foram descobertos durante uma inspeção alfandegária no Aeroporto Internacional King Khalid, em Riade, capital da Arábia Saudita.

É importante ressaltar que o valor total das joias apreendidas ultrapassava significativamente o limite estabelecido pela legislação local para declaração aduaneira.

Como resultado da falta de declaração desses bens valiosos, as autoridades sauditas decidiram confiscá-los temporariamente até que sejam tomadas as medidas legais adequadas para regularizar a situação.

Esse incidente levantou questionamentos sobre possíveis violações éticas e legais por parte do assessor do ministro Bento Albuquerque, assim como sobre sua conduta enquanto representante do governo brasileiro em uma viagem oficial.

Patentes do Exército Brasileiro

Jair Messias Bolsonaro, atual presidente do Brasil, foi expulso do Exército Brasileiro em 1988. A decisão de sua expulsão ocorreu após ele ter sido considerado culpado por indisciplina e insubordinação durante seu período como capitão no exército.

Bolsonaro ingressou no Exército em 1973 e serviu por quinze anos até ser expulso. Durante esse tempo, ele acumulou diversas punições disciplinares devido ao seu comportamento inadequado e desrespeitoso com seus superiores hierárquicos.

Uma das principais razões para a expulsão de Bolsonaro foi o episódio conhecido como “Plano Cohen”. Em 1986, ele concedeu uma entrevista à revista Veja na qual afirmava que havia um plano comunista para tomar o poder no Brasil. Essa declaração causou grande polêmica e gerou instabilidade política no país.

Além disso, Bolsonaro também teve problemas disciplinares relacionados à sua conduta pessoal. Ele frequentemente se envolvia em discussões acaloradas com colegas militares e demonstrava falta de respeito às regras estabelecidas pela instituição militar.

Diante desses acontecimentos, o Conselho Permanente de Justiça para o Exército decidiu pela expulsão de Jair Messias Bolsonaro em 1988. Essa medida foi tomada visando preservar a disciplina interna da instituição militar e garantir a integridade dos valores fundamentais do exército brasileiro.

Após sua saída do exército, Bolsonaro seguiu carreira política e eventualmente se tornou presidente do Brasil em 2019. No entanto, sua expulsão do exército ainda é um ponto de discussão e crítica por parte de seus opositores políticos, que veem essa decisão como uma evidência de seu comportamento inadequado e falta de compromisso com a hierarquia militar.

Número de quartéis do Exército no Brasil

O Exército Brasileiro é organizado em quatro Divisões de Exército (DE), que são:

1. 1ª DE – sediada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

2. 2ª DE – sediada em São Paulo, em São Paulo.

3. 3ª DE – sediada no Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro.

4. 4ª DE – sediada em Recife, em Pernambuco.

Essas divisões têm como objetivo principal a defesa territorial e a manutenção da ordem interna dentro das suas respectivas áreas de responsabilidade geográfica. Cabe ressaltar que cada Divisão de Exército possui várias unidades subordinadas, como brigadas e batalhões, que atuam diretamente na execução das missões atribuídas ao Exército Brasileiro.

Além disso, o Exército também conta com outras organizações militares especializadas e estratégicas para o cumprimento das suas funções institucionais, tais como as Forças Armadas Conjuntas (Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira) e os Comandos Militares de Área (CMA), responsáveis por coordenar as atividades operacionais nas diferentes regiões do país.

É importante destacar que essa estrutura organizacional visa garantir a prontidão operacional das tropas brasileiras para enfrentar eventuais ameaças à soberania nacional ou situações emergenciais que exijam intervenção militar.